segunda-feira, 13 de junho de 2011

Retratos I

Encontro refúgio nos teus retratos
Inacabados, que captam os olhares
De todos e se perdem nas cores e linhas
Do teu rosto.
Enquanto eu caminho com mais uma
Certeza que hoje tenho asas brancas
E sou borboleta de tonalidades radiantes

Não me viste enquanto sobrevoei os teus telhados
Então, não me procures nos céus agora
Simplesmente eu voo em novos céus de dimensões inatingíveis

Um dia vou chegar às estrelas
E aí transformar-me-ei numa estrela com asas gigantes
E serei novamente a força das noites brilhantes
Enquanto partirei para sempre dos teus sonhos vazios


Todos os dias deparo-me com altitudes inalcançáveis
Inconsciente, continuo e atinjo-as
Consegues ver-me agora?
Dizem-me que tenho de parar de voar
Mas eu não encontro o caminho de volta a casa
Já não há nada atrás de mim

Deixem-me apenas ter tempo para ver
Mais uma vez as estrelas
Espero pela noite, Agora eu estou bem
Vou ficar aqui…
Enquanto esqueço o som da tua voz…

                           …e então eu não ficarei mais contigo no escuro!




quinta-feira, 9 de junho de 2011

Lost

Andando por avenidas vazias eu dou-me conta do quanto perdi...não pode ser contado em numeros  nem calculado em percentagem.
Umas vezes eu penso que perdi porque deixei ir, esvaziando a bagagem da minha vida, queimando os fragmentos do meu proprio Eu!
Morrendo por dentro, respirando mecanicamente, falando palavras absurdas. Morta é o que eu estou!
Eu abri o coraçao para o mundo e o que eu ganhei com isso? O mundo esventrou-o, mutilou-o, trespassou-o e queimou-o junto com todos os sonhos. Perdi mais que o tempo pode devolve, muito mais do que qualquer força pode voltar a construir!
O vento, esse exterminador de vontades e sorrisos, levou tudo de mim!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

David Crocket - Miguel Sousa Tavares (exc)

Eternamente

"E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de

Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos

arrastámos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes,

construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um

pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para

olhar as estrelas no céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite,

abóbadas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha

suspensas do tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te

contei, nada é teu.

E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio

que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.

Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes.

Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da

água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito

que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara,

para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre

seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio

das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido.

E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de

um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro,

com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde

verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos

outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram,

todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia

ser meu para sempre."


Estrelas à meia Noite II

Eu não sou mais do que vês. Não sou as linhas que tentas construir em mim nem o reflexo nesse espelho que tu idealizas.
Eu sujo as minhas mãos de tinta e pinto esse quadro das tonalidades que é a minha vida.Os meus olhos são a expressão do mundo, do que vejo e não posso abraçar, do que abraço e me desilude, do que abraço e não quero largar…
Eu sou hoje, tudo o que não fui ontem porque não tive força e amanha serei de novo a resposta às marcas que deixas em mim…
Os danos são brutais na minha cabeça, mas eu sou assim mesmo…Sou a luz que não se apaga e o brilho que não existe, sou as sobras da droga e os efeitos do álcool…sou aquela borboleta que não vês voar e a estrela que não vês brilhar. Sou a loucura que condenas e a pureza que se perde nas noites. Eu sou apenas a construção dos teus ideais de pernas para o ar. Sou as palavras que te magoam e as mãos que já não consegues agarrar. Eu sou o sangue que te faz gritar e as lágrimas que tu choras. Sou a criança que amas e odeias. Sou as gargalhadas estridentes, a dança silenciosa, a manipulação das alucinações, sou o sonho e o teu pesadelo…sou tudo o que rejeitaste e agora queres ter, mas nem podes tocar, porque eu sou EU e eu voo sozinha.
Lado a Lado com as Estrelas…

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Paz

Desenho meu melhor sorriso nessa tela transparente…misturo cores brilhantes em tonalidades irreconhecíveis, transformo aquela música triste que me lembra tua imagem perfeita no meu silêncio de vida!



Há segundos realmente dolorosos e horas eternas! Escolho entre a chama da loucura e o vento gelado que detesto…ainda assim eu sei que virá outra chama me confortar e por isso permaneço no frio. Queimo as palavras abstractas do meu pensamento e escondo reflexos do meu coração pesado! Caminho em passos largos, mesmo cansada, eu procuro a adrenalina e o conforto para a minha alma doente!


E no fim, o mundo fica perfeito…por umas horas!



terça-feira, 31 de maio de 2011

Estrelas à Meia Noite I

Quando penso na tua vida à tanto que para mim não faz qualquer sentido…é como se tu tivesses ficado sentada, todos estes anos, numa sala de espera, à procura do dia em que vivesses. E esperaste, e continuaste à espera, e o relógio correu e o tempo voou e nunca viveste. Tu ainda estás nessa sala de espera…


Eu, pelo contrário, quis viver depressa demais…e amei estrelas e oceanos infinitos, corri estradas intermináveis e voei por céus eternos…amei sonhos e miragens, odiei preconceitos e rótulos etiquetados, odiei o mundo e incendiei memorias e rascunhos da minha mente. Eu traí as minhas asas e o meu coração puro!

Eu quis viver tanto e vivi, é verdade, vivi realmente. Fora de tempo…mas vivi…vivi até demais…e foi esse demais que me matou!

E assim, eu matei os sonhos, as vontades e as verdades. Eu matei a liberdade e a força das minhas asas brancas…eu matei simplesmente a minha vontade de viver. E morri de verdade…porque eu estou morta mãe.

O que tu vês caminhar pela casa é um corpo cheio de nada, deambulando por entre dor e desespero.

É tão tarde para voltar atrás…

 ( Porto ) Emma Santos *Estrelas à meia Noite*Excerto

Tempo...


O tempo assemelha-se à dor nos meus olhos…ele apenas envelhece mas não pára nem termina…


Sinto o vento congelar-me o corpo e não consigo fazer nada. Sinto os céus mudarem de cor e não consigo nem olhá-los.

Mas quando olho para o mundo, eu vejo mil espelhos partidos sobre o meu chão e eu descalça caminho sobre os meus próprios restos. Não tenho medo. Mas fico cansada…muito cansada de caminhar sobre algo que já me pertenceu em tempos.

Se as chamas do teu inferno queimassem toda a minha alma, deixaria de sentir dor?

Se eu cortar meus pulsos até cair a ultima gota de sangue, eu voarei para sempre?

E se eu morrer e depois me olhar no reflexo da tua moldura, que rosto sobressairá?

Mas se eu preferir ficar e lutar…quantas vezes iras atravessar a espada no meu coração?

Se eu esgotar todas as minhas armas e cair sem força, quantas vezes tu virás aqui?

Se eu falar até ficar sem voz…se eu implorar para que me ouças…quantas palavras tu entenderás?

E se eu me cansar e largar as recordações sobre a mesa de vidro e fechar a porta para sempre, tu tentarás chamar pelo meu nome uma ultima vez?

E se chamares, eu não vou ouvir…e se tentares abrir a porta, não conseguirás.

E finalmente irás perceber que a porta se trancou para sempre…