quinta-feira, 16 de junho de 2011

Aprendi

Um dia alguém me disse que eu era uma Fénix, e como qualquer Fénix eu iria renascer das cinzas! É exactamente isso que eu vou fazer hoje…É hoje o dia em que renasço novamente para o mundo.  

Porque em todo este tempo eu aprendi que por vezes temos a certeza de quem somos e num único olhar instalam-se um milhão de dúvidas…

Aprendi que fugir do que queremos é mais difícil do que julgava.

Aprendi que consigo amar sem escolher mas não consigo esquecer quando pretendo.

Aprendi que os sentimentos reais podem matar mais que o próprio ódio e da mesma forma aprendi que às vezes os que mais nos amam nunca vão para sempre!

Aprendi que posso ouvir as piores coisas de quem menos esperava e que também sou capaz de dize-las mesmo sem as sentir.

Aprendi que sorrir para estrelas ainda me trás a paz que o sol me rouba.

E aprendi que posso voar sempre que encher os pulmões de força.

Aprendi que apesar de magoada sou capaz de perdoar. Mas também fui obrigada aprender que à uma altura para ir embora de vez.

Aprendi que a felicidade não é garantida assim como as coisas e pessoas não são minhas.

Mas também aprendi que a verdadeira vida só tem significado quando uma irmã te agarra e diz “Minha Branca de Neve eu vou viver e largar esta merda por ti” (mitra) orgulho.


Aprendi que quem me chama “perfeita” me pode acusar de coisas que eu nunca fiz mas quem me acha perfeita à 18 anos continua a achá-lo.

Aprendi que afinal sou frágil e que em momentos sou apenas uma menina.

Aprendi que quando penso que já perdi tudo, o mundo vem e rouba-me mais alguém.

Aprendi que um só beijo pode significar muito mais que uma noite de prazer, mas também aprendi que um beijo pode custar muito mais a esquecer do que uma noite.

Aprendi que alguém que viu através de mim afinal nada conheceu e nada viu.

E também aprendi que cantar na praia junto da minha gente, sempre me faz rir à gargalhada.

Aprendi que no sitio onde me trouxeram reina o preconceito e a falsidade, mas também comprovei que meus amores eu SOU DO PORTO, e como diz os meus meninos, para derrubar alguém do Porto é preciso muito mais que comentários e invejas.

E por isso aprendi que antes de viver pelos outros, sim, eu tenho de viver por MIM!   

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Retratos II

Morres em mim
Como os sonhos desvanecem no mar
Caio em mim,
Como as estrelas cadentes falecem nos
Escombros do Universo!
E em escombros, também eu me perco
Tentando encontrar o sol ausente
Em estancias de luz me amarro
Num confronto de olhares
Louco, imprudente, fora de mão…
E regresso num voo rápido e efémero
Efémera é a vida que corre em segundos
Lenta é a dor que permanece nas horas insuportáveis
Não sei quem me mandou ao Universo
Encontrar o quê?
Á procura do quê?
E desespero calmamente na minha espera continua
Um vulto assombra-me…
Regressas a mim,
Como a lua sempre volta à noite!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Retratos I

Encontro refúgio nos teus retratos
Inacabados, que captam os olhares
De todos e se perdem nas cores e linhas
Do teu rosto.
Enquanto eu caminho com mais uma
Certeza que hoje tenho asas brancas
E sou borboleta de tonalidades radiantes

Não me viste enquanto sobrevoei os teus telhados
Então, não me procures nos céus agora
Simplesmente eu voo em novos céus de dimensões inatingíveis

Um dia vou chegar às estrelas
E aí transformar-me-ei numa estrela com asas gigantes
E serei novamente a força das noites brilhantes
Enquanto partirei para sempre dos teus sonhos vazios


Todos os dias deparo-me com altitudes inalcançáveis
Inconsciente, continuo e atinjo-as
Consegues ver-me agora?
Dizem-me que tenho de parar de voar
Mas eu não encontro o caminho de volta a casa
Já não há nada atrás de mim

Deixem-me apenas ter tempo para ver
Mais uma vez as estrelas
Espero pela noite, Agora eu estou bem
Vou ficar aqui…
Enquanto esqueço o som da tua voz…

                           …e então eu não ficarei mais contigo no escuro!




quinta-feira, 9 de junho de 2011

Lost

Andando por avenidas vazias eu dou-me conta do quanto perdi...não pode ser contado em numeros  nem calculado em percentagem.
Umas vezes eu penso que perdi porque deixei ir, esvaziando a bagagem da minha vida, queimando os fragmentos do meu proprio Eu!
Morrendo por dentro, respirando mecanicamente, falando palavras absurdas. Morta é o que eu estou!
Eu abri o coraçao para o mundo e o que eu ganhei com isso? O mundo esventrou-o, mutilou-o, trespassou-o e queimou-o junto com todos os sonhos. Perdi mais que o tempo pode devolve, muito mais do que qualquer força pode voltar a construir!
O vento, esse exterminador de vontades e sorrisos, levou tudo de mim!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

David Crocket - Miguel Sousa Tavares (exc)

Eternamente

"E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de

Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos

arrastámos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes,

construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um

pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para

olhar as estrelas no céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite,

abóbadas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha

suspensas do tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te

contei, nada é teu.

E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio

que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.

Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes.

Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da

água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito

que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara,

para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre

seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio

das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido.

E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de

um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro,

com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde

verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos

outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram,

todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia

ser meu para sempre."


Estrelas à meia Noite II

Eu não sou mais do que vês. Não sou as linhas que tentas construir em mim nem o reflexo nesse espelho que tu idealizas.
Eu sujo as minhas mãos de tinta e pinto esse quadro das tonalidades que é a minha vida.Os meus olhos são a expressão do mundo, do que vejo e não posso abraçar, do que abraço e me desilude, do que abraço e não quero largar…
Eu sou hoje, tudo o que não fui ontem porque não tive força e amanha serei de novo a resposta às marcas que deixas em mim…
Os danos são brutais na minha cabeça, mas eu sou assim mesmo…Sou a luz que não se apaga e o brilho que não existe, sou as sobras da droga e os efeitos do álcool…sou aquela borboleta que não vês voar e a estrela que não vês brilhar. Sou a loucura que condenas e a pureza que se perde nas noites. Eu sou apenas a construção dos teus ideais de pernas para o ar. Sou as palavras que te magoam e as mãos que já não consegues agarrar. Eu sou o sangue que te faz gritar e as lágrimas que tu choras. Sou a criança que amas e odeias. Sou as gargalhadas estridentes, a dança silenciosa, a manipulação das alucinações, sou o sonho e o teu pesadelo…sou tudo o que rejeitaste e agora queres ter, mas nem podes tocar, porque eu sou EU e eu voo sozinha.
Lado a Lado com as Estrelas…

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Paz

Desenho meu melhor sorriso nessa tela transparente…misturo cores brilhantes em tonalidades irreconhecíveis, transformo aquela música triste que me lembra tua imagem perfeita no meu silêncio de vida!



Há segundos realmente dolorosos e horas eternas! Escolho entre a chama da loucura e o vento gelado que detesto…ainda assim eu sei que virá outra chama me confortar e por isso permaneço no frio. Queimo as palavras abstractas do meu pensamento e escondo reflexos do meu coração pesado! Caminho em passos largos, mesmo cansada, eu procuro a adrenalina e o conforto para a minha alma doente!


E no fim, o mundo fica perfeito…por umas horas!