quinta-feira, 21 de agosto de 2014

As palavras não fluiam mais ultimamente. Pensei até por momentos que tinha esquecido de como era pegar papel e caneta e desenfrear-me em devaneios perdidos. As palavras voltaram e então entendi que apenas estava feliz, muito feliz para poder escrever sobre dramas do passado.
Hoje escrevo sobre dramas do presente e como eu lamento retornar aos desabafos dolorosos.
Foste embora com um sorriso estranho, me mentindo sobre certezas que eu quase tinha, escondendo farpas atrás das costas para mais tarde, do lado de lá da porta me as lançares. E acertaste direitinhas nos lugares que dói...sempre foste tão ágil em me atingir, tão eficaz em derrubar-me. De certa forma entendo que é bem assim que tu gostas de me ver, rastejando no chão, pisada pelos teus pés quando tento erguer-me, adormecida em poças de sangue, afogada em lágrimas que clamam teu nome. É mesmo desse jeito que tu gostas de me olhar, é aí que tu sentes que te amo. Cada lágrima minha enaltece tua auto-estima! E então dizes que me amas mas querida, amor é quando não abandonamos a pessoa que amamos sozinha para a destruir de longe. Amamos quando limpamos as lágrimas do outro 500x mesmo que ela não limpe as nossas. Amamos quando não culpamos o outro pelas falhas do nosso coração...
Lamento que apenas necessites de alguém que te faça sentir a melhor, que te beije e toque o tempo todo, que utilize teu corpo como uma boneca de plástico...lamento que seja exatamente isso que tu desejes. Pois tu não procuras amor...procuras sei lá, tudo o que tiveste toda a tua vida! Tenho pena de ti...por não veres beleza nos olhares disfarçados, nas palavras que se guardam no silêncio, nos sonos em que dormimos agarradas, nas cabeças encostadas nos ombros...lamento verdadeiramente!
És livre de ir...apenas não me ataques, porque talvez eu caía mas retornarei mais forte que tu e eu não perco agora. Não me acuses de coisas que não são verdadeiras nem tão pouco justificáveis.
Tu...não sabes cuidar de mim, então aprendi a me cuidar sozinha pois sabia que um dia voltaria a ser assim...não importa se eu morresse agora afinal eu já estou morta para ti!
Lembra-te que eu não esqueço das tuas palavras e quando não te lembrares um dia, elas estarão bem aqui guardadas.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A not Magic World

Você pode viver 1000 anos e ainda não conhecer o mundo. Você pode ter vivido em todas as nações e ainda não se encaixar em nenhuma. E é então que começa esse ódio miudinho dentro de si, quase como um vulcão afogado em água...quase como um grito mudo!
Você cresceu e não pode mais comportar-se como uma adolescente...

Eu ainda me lembro quando tu vinhas de longe cheio de lembranças e comidinhas estranhas que tu amavas experimentar...e de todas as coisas que carregavas, o que eu mais amava era sentar-me no almofadão do chão e te ouvir por horas a fio a contar todos os recantos, esquinas e pessoas que conheceste. Céus, como tu adoravas o mundo!
Às vezes eu gostava de vê-lo como tu vias. De amá-lo como tu amavas. De perdoar como só tu tinhas a capacidade de perdoar. E eu lamento pai...lamento vir aqui desmentir todas as ilusões que viveste mas o mundo não é tão mágico assim!
As pessoas vivem se odiando, se desprezando entre elas mesmas por detrás de sorrisos hipócritas. Já ninguém para para olhar as paisagens que tu tanto amavas e as guerras que tu fotografavas...pai, elas não são nada comparadas com as almas que as pessoas dentro delas mesmas. Pois se tu pudesses vê-las como eu as vejo, sucumbirias em lágrimas!
Mas tu sempre foste assim, capaz de ver o melhor das pessoas e nunca o pior...era assim quando tu a olhavas e não vias como ela era diabólica. Era assim quando tu me olhavas e ainda vias a tua menina e a tua menina estava morta nas tuas mãos pai...eu era só um corpo deambulando!
Não há pai, não existe nenhuma desculpa para a (des)humanidade, nao há..não existe nenhum perdão que eu posso encontrar...pois eu não sou e não tenho o teu coração.
Mas agradeço às estrelas todos os dias, por te terem levado para um lugar cheio de luz e paz...longe do mundo. Exactamente onde tu pertences...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Já olhaste para as estrelas? 
Nenhuma luz perturba a delas, nenhuma tempestade as esconde para sempre..nenhuma ventania as derruba. 
Pergunto-me porque razão custa tanto o ser humano se rever nas estrelas..pergunto-me porque razão as pessoas adoram lamentar-se, chorarem pelos cantos e ainda tentarem dizer que são fortes. 
Forte? Se vocês soubessem o que é ser forte...quando nem mesma eu sei. Quando eu...eu que me degrenhei em penhascos e me segurei em linhas imaginárias para não morrer...eu, que sobrevivi a provações que poucos sobreviveriam e assisti a mortes que muitos não suportariam...eu, que cresci depressa demais, que lutei por tudo o que tenho...eu, que me construí sem nenhum alicerce..eu...que depois de tudo..me considero fraca, como podem os outros auto-nomearem-se de fortes?
Fortes são os que sabem construir barreiras verdadeiramente indestrutiveis. Fortes são os que se amam até ao dia das suas mortes, os que se amam mais que qualquer coisa no mundo. Fortes são os que não se afectam com comentários, facadas ou mágoas. Fortes são os que verdadeiramente...se igualam às estrelas.
Mas o ser humano tende a lamentar-se..tende a gostar do drama das novelas portuguesas. Tende a amar romances de finais infelizes. O ser humano adora dizer que sobreviveu a catástrofes...
É engraçado...pois os que conhecem a minha história adoram dizer "coitadinha, foste tão forte." "deve ter sido horrível"...e queres saber? Não foi horrível, não fui forte, não sou nenhuma coitadinha! Sabes porque? Porque vivo, porque estou inteira, porque de algum modo...aprendi! E é para isso que existimos...sofrer e aprender...

domingo, 15 de junho de 2014

Give up

Entrou no quarto na mesma hora que em dias anteriores, era esse o procedimento e não convinha alterá-lo. Pediu-lhe para ela se levantar, ela concordou. Pegou-lhe no braço com carinho e colocou-a em frente ao espelho recém chegado .

- Olha-te...o que vês?

Ela ficou em silêncio por um momento. De repente, parecia que tinha ficado completamente sozinha ali...só ela e o espelho. Só ela e os monstros dela. E então, conseguiu responder.

- Pele sem brilho, cabelo que um dia já foi bonito mas não o é mais. Olhos de alguém que parece ter o triplo da idade que tem. Corpo que se vai recuperando mas mente doente. Dentro dela...não vejo nada.

Ele largou-lhe o braço, virou o rosto para a parede e susteve o ar por um segundo. Não era a resposta que ele queria, mas era, com certeza, a que ele contava.
- Sabes o que eu vejo? Uma miúda lindíssima com um enorme potencial para crescer na vida e ser imensamente feliz. Vejo alguém extremamente inteligente, com carácter, com noção do mundo mas sem suporte para se segurar.

Dirigiu-se à porta para sair rapidamente, quando foi interrompido por ela.

- Não.

Ele parou. Não sabia o que esperar dela agora.

- Você apenas diz o que gostaria de ver em mim, o que gostaria que fosse real. E é por isso que os seus olhos se enchem de tristeza, pois não suporta ver a verdade. Que eu não tenho conserto. Não suporta ver meu corpo lutando constantemente para sobreviver enquanto minha mente o mata. Não suporta perceber que eu não ligo a mínima para o vosso tratamento nem tão pouco para as vossas palavras. Você não suporta ver que eu tenho razão, que não há nada em mim para salvar, que mesmo que eu sobreviva, eu ainda continuarei morta. É isso que você vê...o tempo todo que olha para mim...mas a sua medicina obriga-o a mentir...Você foi ensinado a mentir...e adivinhe doutor...eu sou o tipo de miúda, que odeia mentiras!

Aquelas palavras quebraram-lhe o coração. Eram verdadeiras, frias e precisas tal como ela. Queria salvá-la mas não sabia como. Ela amarrava-lhe as mãos quase como num pedido de socorro para não a salvar. E pela primeira vez, ele tinha uma paciente que no mais fundo de si, desejava mesmo morrer.



domingo, 8 de junho de 2014

Nós vamos e voltamos,
Encontramos os porquês de não ter funcionado antes...
Olhamos novamente e vemos as razões porque insistimos em ficar...
E tu sabes, sabes porque eu não necessito de repensar sobre o que sinto, pois eu te amo.
Se soubesses o quanto...mas não sabes, nem nunca poderás saber pois nem mesma eu conheço tal dimensão...Talvez deus, esse estranho ser desconhecido em quem eu descreio e que sinto uma certa repulsa em descrevê-lo com letra maiúscula...mas se ele existe e eu estiver errada, talvez ele possa saber o quanto eu te amo. Talvez as estrelas para quem implorei tantas vezes que te trouxessem para os meus braços.
Mas quando revivemos tudo cansa meu amor...não sou a melhor pessoa para recomeçar os mesmos jogos na casa da partida nem tão pouco me autorizarei a voltar a sofrer por algo que eu já sofri mais do que meu coração poderia suportar...
Porque tu não tens como saber a tal dimensão de meu amor, nem a dimensão da dor que esse amor me causou e querida...eu estou cansada que o sol pare de me aquecer de um momento para o outro. Que o sorriso vire uma face dura por longos dias, que conversas de melhorias se tornem frequentes.
Por favor, pare de colocar a mente para trabalhar em teorias conspiratórias contra nós próprias e me ame como se tivéssemos vida eterna.

domingo, 18 de maio de 2014

"I'm sorry honey, but you've fallen into the abyss of no return"

Todas as pessoas deveriam poder ser felizes todos os dias, do amanhecer ao anoitecer. Todas as pessoas, deveriam ser capazes de sorrirem todos os segundos do relógio, pois eu sei que um dia isto acaba...um dia, simplesmente fechamos nossos olhos e não mais veremos o mundo...nunca mais amanhecerá para nós. Nunca mais veremos as estrelas em noites de verão. Nunca mais poderemos sentir as brisas do vento...Um dia, simplesmente Acabou! E adormecemos para todo o sempre!
Então, sim...eu aprendi a dar muito valor à vida! Muito valor ao tempo que eu gasto desnecessariamente, como se bem no fundo de mim, algo me gritasse que eu não tenho muito mais anos para gastar... Não sei, ninguém pode saber! Mas sabes aquelas pessoas que sentem que não pertencem aqui? Eu sou assim...sempre fui!
Talvez eu não tenha mesmo tantos anos assim...e por isso faço intenções de realizar quase tudo o que era suposto eu realizar...
Mas tenho estes dias em que a minha cabeça simplesmente não aguenta e tu não respeitas isso.
Depois de tudo o que eu vivi...se tu pudesses ver como um trailer de um filme inacabado, se tu pudesses imaginar todos os lugares onde eu estive, todas as pessoas que eu conheci, tudo o que eu ultrapassei...questionares-te-ias como sobrevivi!
21 anos, são 210 anos na minha mente, me sinto muito cansada às vezes. Então não questiones meus dias difíceis, porque acredita..difícil mesmo, é sobreviver dentro de mim. Difícil é respirar dentro de um corpo que às vezes vive em confronto comigo própria e me tenta sufocar ao mesmo tempo que luta para encontrar oxigénio. Difícil é olhar para trás e não encontrar vestígios, da pessoa que eu fui no passado, no agora. Difícil, difícil é ter de conviver comigo própria todos os segundos e ainda sorrir para o mundo, cuidar do mundo sem saber cuidar de mim.
Preciso de parar às vezes... de ouvir 100x a mesma música quando tu não entendes o porquê de eu o fazer. Ouvir a mesma música tantas vezes é como poder parar um pouquinho no tempo. Ficar em silêncio comigo própria, a olhar para nada, para ninguém.
Não estranhes quando eu me quiser isolar do mundo...eu sou um pouquinho como aqueles bichinhos que necessitam hibernar. Preciso me desligar um momento para poder regressar depois! Pois tu não sabes como por vezes, as vozes me ensurdecem...como o toque das chamadas me incomoda, como o simples barulho dos carros ao longe me perturba.
Não te zangues quando eu dormir muitas horas...às vezes eu preciso, para poder acordar depois e não desejar morrer durante uns tempos. Preciso me desligar da vida para poder dar-lhe valor novamente.
Lamento...lamento ser assim. Por ti, por todas as pessoas que abandonei, por mim também. Mas se eu não fosse assim, já teria morrido por não aguentar. Lamento que não entendas...que não saibas lidar comigo. Lamento ser o pior para poder ser o melhor depois...Quebraram as minhas asas à muito tempo atrás e eu apenas tento sobreviver rastejando!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Esta noite está tão silenciosa, parecendo como se os anjos estivessem a guardar a Terra em seus braços para poderem regressar a casa.
A vela acesa ao meu lado, assemelha-se à única coisa realmente viva, realmente quente neste quarto...e eu preciso de algum calor, de conforto no meu peito. 
Estrelas, eu precisei de tanta força para não cair que acho que caí na minha própria força! Tem momentos que eu não consigo nem respirar de tanto gelo que construí...tem momentos que eu sinto como se necessitasse de uma bóia de salvação que me faça sentir algo mas quando eu sinto, meus pedacinhos de cristal mal colados, estilhaçam-se novamente no chão e eu fico sem nada! E não há nenhuma prece que me salve...depois de tantos empurrões, afogamentos e destruições, meu coração quebrou-se para todo o sempre! 
Há um mar de dor que me empurrou para uma ilha deserta onde tive de sobreviver sozinha e não acho que seja capaz de voltar a ser quem eu era... 
Às vezes olho pela janela e apetece-me saltar...tentar acreditar, absurdamente, que consigo voar e ir para algum lado sem nenhum lugar, na verdade, para onde ir! E então fico...fico pois não seria melhor em lugar algum do que é aqui... A verdade é que pela primeira vez, eu tenho tudo...mas esse tudo chegou tão tarde...tarde demais estrelas! A Rainha Branca de Neve que vocês conheceram não é mais Rainha de nada, não sente mais carinho pelo frio nem pelas noites...não caminha mais por entre ruas intermináveis em busca do caos. A borboleta que vocês amaram, não tem nem asas brancas nem asas negras...simplesmente transformou-se numa lagarta sem forma nem vida. E nenhuma estrela continua esperando por mim...elas desistiram de mim...VOCÊS desistiram de mim no momento que eu desisti de mim própria! 
Estou a habitar onde os anjos mortos habitam, estou falando onde as paredes só ecoam e estou brilhando numa plena escuridão sem espectadores para me verem vencer! 
E subitamente a chama da vela vai adormecendo...parece que o Diabo joga direitinho do jeito dele...brincando com o paraíso, me fazendo odiar o quase perfeito!