terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Eu sou uma garota de palavras, você sabe não é?! Talvez porque eu sempre me expressei através delas...Meu pai costumava deixar deixar recados na porta da entrada, dizendo o dia em que iria voltar. Minha ama deixava bilhetinhos na cozinha dizendo que o jantar estava no forno e era só aquecer. E minha mãe...bem eu e ela nos falávamos só por escrito porque não havia coragem para nos falarmos cara a cara. Eu gosto de palavras, porque eu não minto sabe? Eu não minto sobre meus sentimentos. E ingenuamente, eu acredito que os outros também não mentem.
Eu gosto de escrever...porque nem sempre as pessoas estão aqui para nos ouvirem e quando estão, eu não quero falar! Nenhum ouvido é melhor do que um papel e uma caneta.
E de repente eu simplesmente não conseguia mais escrever! Desesperadamente eu tinha um milhão de coisas para dizer e estava bloqueada. Tentei algumas vezes e nada saiu além de pequenos fragmentos de dores inexplicáveis. E então percebi que meu corpo, meu coração e meu cérebro estavam pela primeira vez em 22 anos a tentar trabalharem juntos para me salvarem! Não me permitiram escrever para não lembrar, não me permitiram chorar mais, não me autorizaram a ouvir as músicas que me faziam recordar e me obrigaram a amar-me um pouco mais! Expulsaram a minha alma para que ela não desarrumasse mais nada aqui dentro!
Não deixei de te amar um único dia, mas precisei amar-me mais para que eu simplesmente não desaparecesse do mundo! Precisei amar-me para sobreviver, porque a verdade é que você não cuidou de mim!
Eu sei que você me ama mas também sei que você quase me matou! Pegou em mim, me colocou amarrada a uma árvore e disparou todos as abalas que a sua arma tinha carregadas. Me deixou ali de pé, sangrando até não existir mais nenhuma gota de sangue em meu corpo e foi dar as suas voltas....se divertindo, se amando e amando outras inúmeras coisas do seu dia-a-dia. Pensei que você voltaria para verificar pelo menos se eu estava morta, talvez para enterrar meu corpo mas você simplesmente esqueceu de mim.
E sabe...você realmente me matou! Matou cada sonho que eu tinha. Matou cada esperança na humanidade. Matou cada ilusão. Matou cada projecto. Cada vontade. Cada sorriso meu. Você me matou!
Quando você regressou e tentou me salvar fazendo respiração boca a boca, meus pulmões receberam oxigénio mas foi muito tarde para o meu coração...ele havia desistido do amor!
Não me interprete mal, eu ainda acredito no amor, ainda o sinto, apenas hoje tenho a certeza que esse sentimento só carrega destruição e caos!
E mesmo eu me tendo reerguido do abismo, você é como uma doença sem cura...então por favor me deixe ser um pouco gelada...me deixe amar o frio, como se fosse morfina para a minha dor! Caso contrário, me mate de vez!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Agora você pode me julgar

Não é fácil sentar aqui mãe...sentar e sentir que perdi!
Sentar quase como numa cadeira de tribunal e ser julgada por ti, por todos eles e por mim!
Sinto como se existisse um espelho gigante na minha frente e eu não conseguisse levantar o olhar para me ver...porque eu falhei mãe! Sim, eu falhei...e por muito doloroso que seja admitir que perdi, é muito pior quando sou obrigada a reconhecer que não sei se voltarei a vencer em alguma coisa na minha vida!
Eu sei..eu sei que tu queres que eu me confesse...tu queres ouvir não é?
É...eu me desencontrei de mim.
É, eu meio que caminhei dias inteiros pelas ruas da cidade que eu amo e me dei conta que não tenho nenhum lugar para ir!
Desperdicei horas sem nenhuma ocupação...apenas parada a olhar para nada! E tu sabes o quanto eu valorizo o tempo!
Desiludi uma multidão de pessoas e tive de lidar com todas as enormes desilusões que vivi de cada vez que olhava para mim própria!
Eu nunca quis magoar ninguém mãe...eu não queria...mas inevitavelmente, acho que magoei...e deixei feridas eternas nalgumas pessoas!
Queria que tudo tivesse sido muito diferente, mas não consegui fazer mais nada além de destruição!
Acho que eu sou como um vulcão que fica adormecido durante uns anos e depois decide entrar em erupção sem prévio aviso.
Acho que eu...nunca irei me superar sabes? Acho que tu me tiveste para falhar toda a minha vida...
Não sei exactamente que termo usar, mas tenho a certeza que tu compreendes não é mesmo? Porque grande parte da tua vida deves ter-te sentido assim...meio vazia! E peço perdão...de verdade! Eu, Emma estou aqui pela primeira vez a pedir-te perdão mãe...não por tudo o que eu fiz, não por tudo o que eu te disse, porque sinceramente, mereceste-o. Perdão simplesmente por nunca ter entendido essa melancolia onde tu habitavas...e que eu experimentei algumas vezes no passado mas nunca durante tanto tempo quanto tu. Não conseguia entender porque é que tu insistias em viver assim, e hoje...hoje eu vejo que tu não querias viver assim...mas a vida obrigava-te!
Perdão por nunca ter entendido o que te faltava para seres feliz e hoje sei perfeitamente que às vezes não falta nada na nossa vida...falta sim um pedaço gigante de nós mesmas...que teremos perdido no passado sem darmos por isso!
Perdão por nunca ter percebido porque destruías tudo de bom à tua volta...hoje sei...que talvez faça parte dos genes! Eu também destruo tudo de bom à minha volta!
E agora te pergunto...qual o meu futuro? Eu terei de morrer mãe? Eu terei de morrer para deixar o mundo ser feliz?!
É...eu sei que eles tentam me ajudar. Eu vejo como eles tentam me entender...Mas como se diz a alguém que tu simplesmente não consegues mais respirar quando os teus pulmões ainda não desistiram?!
Como se diz a alguém que tu já morreste e só precisas de um funeral e não de mais tentativas de reanimação?
Como se vive assim mãe?! Porque eu estou prestes a desistir...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Olhando para trás eu vejo muitos destroços e uma linda história de amor.
Relembro milhares de sorrisos e beijos...alguns ternos, outros acelerados....Mas também lagos gigantes de lágrimas de uma garota que gritava por algum nome, sozinha no meio do nada!
Eu vos vejo de mãos dadas e observo os longos abraços que parecem não ter fim. E vejo gritos, desespero e despedidas absurdas!
Eu vejo lençóis alagados, calor e suor...e vejo sangue, dietas ridículas e silêncios dolorosos!
Eu vejo uma garota que voa com asas brancas e também a vejo rastejar, sem asas, sem pernas, sem força, sem fôlego!
Eu vejo amor, muito amor....e muita dor!
E acho que é isso..você lê seu livro favorito e decide se a história deveria ter sido assim, se valeu a pena!
Acho que meus olhos me deram 1000 motivos para arrumar o livro e não chegar nem ao fim do capitulo mas eu sou uma leitora persistente!
Aquela garota, ela te ama com todo o amor que pode caber numa galáxia cheia de estrelas brilhantes.
Ela cometeu alguns erros sim, e acredite em mim, ela se arrepende de cada um deles mas se for para a condenar...fique longe dela, de verdade!
Acho incrível como ela não te condena 24horas por dia por tudo o que tu fizeste com ela...e tu sabes, que se ela o fizesse, ela te ganharia! Mas ela não está batalhando contra vocês, então porque insistes em a querer derrotar?
Talvez tu não estejas a ver, mas derrotá-la não vai preencher as lacunas que tens no coração! E destruí-la, apenas estará destruindo VOCÊS! Mas vai em frente e a derruba...derruba a história que tu chamas de "Linda história de Amor"!
Aquela Garota, baixou as armas! Ela diz que cansou de gritar e de lutar contra ti...eu acho...que na verdade, ela perdeu a voz e a força na última grande batalha de vocês!
Eu sei que parece que ela saiu vitoriosa, mas ela saiu sem nada além de ti! Para te ter, ela se quebrou em mil pedaços e nem assim, ela te cobrou nada de nada além de amor! Então porque tu insistes em cobrar tudo dela? Teus medos, tuas inseguranças, teu mau feitio matinal, teus dias cansados, tuas neuroses? Porque é tão difícil para ti...simplesmente amá-la?  Porque tu insistes em destruir os dias bonitos e ainda exiges que ela te dê mais 100dias perfeitos?
Aquela garota te ama para caralho e tu...acho que tu também a amas do mesmo jeito! Acho que o problema talvez nem nunca tenha sido falta de amor e isso...isso é o mais triste desta história!
Se tu pudesses ouvir-me de verdade, eu te diria que tu tens em mãos uma garotinha muito frágil que já se permitiu ser pisada, quebrada, amassada, queimada...e que hoje, ainda muito frágil, se arranhar, ela vira fera!
Se tu pudesses escutar-me de verdade, eu te diria que...tê-la, é como ter um relógio de corda. Tu precisas lembrar-te dele todos dias para que ele nunca pare de te dar as horas. Atirá-lo contra uma parede, não fará com que ele funcione certo?
Se tu pudesses me ouvir, eu te diria que tu és a minha personagem favorita deste livro e que se eu fosse aquela garotinha, eu te amaria do mesmo jeito que ela, mas eu não ficaria me deitando em lâminas afiadas!
Se tu pudesses me escutar...oh se tu pudesses....eu te asseguraria que tudo o que ela sente é real e que todo o mundo dela se enche de alegria quando ela se deita em teu colo! E então tu, não duvidarias nunca mais daquela garota...mas tu não podes ouvir-me! E então tu continuas duvidando dela....

domingo, 31 de maio de 2015

Até eu Morrer, Ate depois que eu Morrer| Primeiro Perdão

"É estranho se perder naquilo que parece ser a única certeza que se tem."

Tu não tinhas como negar agora, não havia com quem te revoltares senão contigo própria porque meu bem, o tempo todo que tu te revoltaste contra centenas de pessoas, a culpa era só sua e isso não é nada mais que cobardia!

Contaste-me a verdade e floreaste-a com mil e uma justificações e me dizendo que ele não significava nada para ti! Eu estava pouco me importando com o que tu tinhas para me dizer...eu sabia que ele não significava nada porque eu via como tu me olhavas...eu era o teu mundo! O Filho da Puta do teu Mundo que tu tinhas deitado fora assim...sem parar para pensar!

O que me feria não era a tua falta de amor, a tua falta de consideração, as tuas mentiras, nem tão pouco, a tua traição! Naquela época, a única coisa que tu conseguiste quebrar, foi a minha total confiança em ti...

Tu correste atrás de mim, pediste milhões de perdões, choraste para mim, foste à minha casa à noite mesmo sabendo que a minha tia não te queria por perto...tu lutaste muito é verdade!

Mas eu nunca escondi de ninguém que o meu ideal de amor era o que os meus pais sentiam um pelo outro! E apesar de toda a relação deles ser um pouco triste, havia muito respeito...nunca meu pai levantou a voz para minha mãe nem o contrário, eles não discordavam, tentavam se encontrar nas ideias diferentes um do outro e mesmo com toda a distância, ponho minha cabeça a prémio em como nunca houve nenhuma traição de parte a parte! E eu queria isso para mim...sempre havia jurado que nunca perdoaria uma traição nem uma mentira. Mas ninguém deve dizer "NUNCA"...

Os dias passaram e eu senti a tua falta...tu me surpreendeste com flores e palavras lindas! E eu te perdoei...
É incrível porque no momento que eu te perdoei, algo no meu coração se inquietou e me disse que eu estava me afundando. Eu no fundo sabia que tu me voltarias a trair e que eu estava pisando areias que eu não conseguia mover!
Eu lembro que tu me fizeste muitas promessas e muitas juras e eu apenas te pedi uma única coisa...

- Se for para me magoares mais tarde, se for para me voltares a enganar...por favor, afasta-te agora!

E tu não te afastaste...porque tu querias ficar, tu querias-me! Mas eu não era suficiente não é?! Tu precisavas te sentir desejada por todos...e eu fui tola em pensar que tinha te mudado!

Daquele dia em diante, eu havia assinado a minha pena de morte...é como quando alguém perdoa a primeira agressão física, elas nunca param e sempre se repetem! E naquele dia, te perdoando, eu apenas te provava que não sabia viver sem ti, que estava completamente perdida na nossa relação...que já não existia mais EU e sim só TU!

Acho que tu viste isso de certa forma, acho que viste e utilizaste contra mim ainda que inconscientemente algumas vezes! E eu...eu não vi...ou não quis ver!





Até Eu Morrer, Até Depois que eu Morrer| Primeira Verdade

"O começo de uma relação era sempre a parte mais fácil. Depois o lado oculto ia se revelando, sem cessar."
Eu estava sentada lá nas escadas exteriores da biblioteca conversando com a tua prima enquanto esperava tua saída das aulas! Lembro que tinha aulas na faculdade naquele dia mas mais uma vez faltava só para poder estar perto de ti nem que fossem miseras horas...fiquei todo o dia sozinha, só para esperar pelo final de tarde e te poder beijar, te poder abraçar um pouquinho!
Tua prima lá me veio fazer um pouquinho de companhia e no meio da conversa, ela me tentava dizendo coisas que eu não conseguia ver...ela por mil e um meios me tentava alertar de coisas tão simples de entender e eu não percebia! Noutras alturas, antes de ti...céus eu nem necessitaria que alguém me dissesse, com certeza eu descobriria sozinha e naquele momento...com alguém me gritando quase as palavras na cara, eu não entendia direito! Até que com muito custo, ela disse-me que tu me traías e que toda a gente o sabia lá na tua escola...
Eu podia ter acreditado ou simplesmente ter dúvidas...mas não tive! Interiormente julguei-a com inveja do nosso amor e ignorei as acusações dela contra ti!
Mas as estrelinhas ainda me seguem às vezes e naquele exacto momento, o Gonçalo passou a nossa beira!
- É ele! - disse-me ela - é com ele que ela te traí!

Observei-o atentamente até que ele desaparecesse do meu alcance visual e olhei para o fundo da escada por uns segundos...Na minha cabeça instalou-se a dúvida mas ao mesmo tempo, a absoluta certeza de que tu me amavas lutava para me dar força...além disso, qual a chance de ele passar logo na hora em que ela me tentava envenenar contra ti?! Era impossível! Ela apenas usava o primeiro rapaz que via para me convencer que era aquele...

Eram esses os meus pensamentos quando Angelina os interrompeu para me perguntar se eu estava bem! Olhei-a, sorri e disse que sim...tenho a absoluta certeza que ela não acreditou mas na verdade, eu estava bem...eu estava mesmo bem! Porque eu confiava em ti com tudo de mim...

Ela foi embora segundos antes de tu chegares e quando te vi estava completamente em paz. Não te confrontei...simplesmente contei e tu viraste-te contra a Angelina e até contra mim! Aí eu duvidei....
sabes porque? Porque o jeito nervoso com que tu me negaste, a forma agressiva que tu me respondeste...algo havia de errado! Eu podia ter investigado, podia ter-me simplesmente afastado mas decidi confiar em ti.

Semanas mais tarde, algumas pessoas vieram-me contar o mesmo! Tu estavas comigo e com ele! Não era sério, mas estavas!

Eu podia ter chorado...mas não chorei nem senti vontade! Meu coração se encheu de raiva, tanta raiva...mas nenhuma ponta de mágoa ou dor! NADA...
Acho que eu ainda era um pouco a Emma que existiu antes de ti....a Emma determinada, que não se deixa pisar, que vira o tabuleiro e se vinga! Acho que naquele momento eu estava pronta para te destruir!!

domingo, 24 de maio de 2015

Até eu Morrer, Até Depois que eu Morrer| 3

Eu me deixei apaixonar por ti sabes?
Eu já te amava, sempre te amei...de 1001 formas diferentes! Mas cedi e me permiti em me apaixonar por ti...
Quando olhámos para alguém e só vemos perfeição, quando achamos lindo a verruga na ponta do nariz, quando não vemos a gordurinha a mais...meu bem, isso é paixão...não amor!
É muito bom amar alguém e estares apaixonada por ela mas é muito perigoso também, porque a paixão cega! Tu não vês nada de errado mesmo quando os erros estão bem chapados na tua frente! Tu não acreditas mesmo que te repitam 100 vezes...tu vives na ilusão que criaste e não enxergas além disso...paixão tem tanto de bonito quanto de bobo!
E foi assim comigo...acho que eu ceguei!
Por muito tempo, naquele inicio de namoro, eu ainda me mantinha desapaixonada! Porque eu sempre fui assim, muito terra-a-terra...sempre vi mais rapidamente os defeitos do que as qualidades...e eu sempre fui uma garota esperta, que não vai em contos de fadas, que não constrói castelos na areia!
Mas tu eras mesmo perfeita na época sabes? Todas as mensagens, todas as tentativas para estar comigo o tempo todo, todas aquelas parvoíces que alguém faz nos inícios das relações me cegaram...
eu não vi que era cliché! Que toda a paixão termina, que toda a magia desaparece...
Por longos meses eu me mantive muito apaixonada por ti e sei que tu gostavas disso em mim!
Tu me fazias incrivelmente feliz e eu acho, que também te fazia!

Daquela época, eu guardei nosso talãozinho do café, teus bilhetes para mim, o cabelo que deixaste no meu casaco...eu guardei tudo meu amor!

Eu sorria feita tola os dias inteiros...e aquela saudade quase sufocante no meu peito ainda assim me fazia sorrir!

E antes de qualquer coisa mais, eu quero que tu saibas que eu te agradeço de coração por essa época...ela mudou-me é verdade, eu me arrependi muitas vezes do quanto esse tempo me mudou, mas hoje eu agradeço por cada momento! Acho que foi a primeira vez que eu me senti realmente viva!

Mas é verdade quando dizem que todo o apaixonado é um pouco ingénuo e eu não fui excepção!
                                                                                                                           

                                                                                                                    "continua"

sábado, 9 de maio de 2015

Você não consegue exprimir em voz alta tudo o que a sua alma sente!Você quer entender, mas não entende nada!
Você quer pensar logicamente mas não consegue! Tudo o que você vê é NADA…é…você só vê vazio e abismo! 
Você sente sono o dia inteiro mas nunca dorme, sua cabeça não pára de pensar em pensamento giratórios que começam e acabam no mesmo ponto! E em alguns dias você finalmente se rende ao cansaço e poderia dormir por semanas infinitas...seu coração se acalma e você acredita que está a se recuperar! Mentira meu bem...é só seu corpo cedendo ao cansaço, mas logo logo ele volta para te atormentar!
Agora você sabe como é viver e desejar morrer...agora você entende porque tantas pessoas cortam os pulsos, disparam uma bala na cabeça, se enforcam, saltam da ponte...agora você entende não é? 
Ninguém se suicida por amor, ninguém se mata por dividas, ninguém desiste de viver por culpa de alguém...desiste-se por não conseguirmos mais suportar a DEPRESSÃO! 
E você quer tanto culpar alguém por estar doente porque é cobarde o suficiente mas não conseguir admitir que a culpa é só sua...Você foi fraca e caiu...
Não importa se alguém te traiu, se alguém te mentiu ou roubou tudo de você! Não importa se a pessoa mais importante da sua vida morreu, se você perdeu a casa, se não conseguiu terminar seu curso ou se foi despedida do emprego! É triste mas é a realidade...a culpa é só SUA! 
Eu sei que dói, eu sei mesmo! Eu sei que você quer que alguém se importe e te salve...mas não há nenhuma bóia de salvação além das suas próprias mãos! 
Nenhum psicólogo vai te salvar, nenhum amante vai te fazer renascer, nenhum familiar vai te devolver a vida...Ame-se o suficiente para não se deixar ir e então verá que tudo na sua vida correrá bem! Você verá o bom de tudo e o mau....você saberá lidar....

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Blind

Eu amo vampiros mãe...sou fascinada por toda a misticidade que envolve um vampiro, mesmo sabendo que não existem eu adoraria poder ser um. As lendas dizem que quando um vampiro quebra seu coração, ele consegue desligar as suas emoções e não sentir mais nada. Apenas, puff....adeus Humanidade, adeus remorsos, adeus dor...Eu ainda acho que em certos momentos, as emoções voltam a emergir deixando-os indefesos! Como as estrelas em Nova Iorque...mesmo que quase todas as noites do ano tu não as consigas ver, um dia...nem que seja apenas um dia....elas iluminam o céu da cidade!
Como as mentiras que um dia se descobrem, como o crime que não é perfeito, como a borbulha que nem a maquilhagem consegue deter... 
Nada se guarda para sempre mãe e eu acho que hoje é um desses dias.
Um desses dias em que as minhas emoções explodem no meu pequeno coração...
Eu sou muito feliz mãe...eu sou de verdade! E eu estou crescida, tenho uma casa, um emprego que eu realmente amo e uma pessoa do meu lado que é a minha vida! Estou bem resolvida comigo! Acho que perdoei o passado, a vida e até a ti por tudo o que vocês os três fizeram comigo...
Mas a verdade é que quando alguém constrói um edifício por cima de areia, uma vez por outra, ele vai tremer e tu...tu ainda fazes a minha areia tremer mãe!
Eu ainda te ouço na minha cabeça repetir que eu nunca vou ser perfeita e sinceramente...eu não sou mesmo! 
Eu nunca vou ser bonita nem magra o suficiente! Não sou o mundo de ninguém...
Nós nunca fomos o suficiente para nós mesmas e ambicionar tanto tudo como nós duas o fazemos, nos mata por dentro!
Ás vezes eu devia gritar o que não cabe em mim, mas ninguém teria lugar para tantos gritos! E ninguém acreditaria nas minhas palavras...as pessoas tendem a procurar razões na psicologia para justificar as nossas faltas na alma. Outras tendem a julgar ou criticar...e ambas sabemos que a única coisa que falta somos nós mesmas e nada mais! 
E em dias destes eu penso que eu te invejo...tu estás tão longe do mundo e tão calma, acho que conquistaste a paz que tanto querias! Até porque hoje mãe, tu és perfeita aos olhos de todos os que te conheciam à excepção de mim...porque acho que é isso que acontece quando morremos, as pessoas quase que por magia se apaixonam por nós, pela nossa história, pelas nossas qualidades e defeitos...de alguma forma, a morte dá-nos a perfeição que em vida tanto lutamos e nunca alcançamos! Então, talvez um dia eu ainda seja perfeita...


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Até eu Morrer, Até Depois que eu Morrer

Falar de Ti
https://www.youtube.com/watch?v=InmDyR6N8Kg


Mesmo com todos os percalços, mesmo com todas as idiotices que nos levavam a nos chatear-mos, tenho a certeza meu amor que a nossa amizade de todos aqueles anos foi quase perfeita! 
No meu colo, eu sempre protegi meus amigos do frio, dos medos, das dores, do mundo....mas eu nunca havia deitado em nenhum colo. Nunca tinha deixado que alguém me protegesse porque para deixar que alguém nos proteja, primeiro nós temos de baixar a muralha. 
Pareceu até fácil não é? Mas não foi...eu tive muito medo, tremi muito...e acho que lá no fundo, eu sabia que tu me magoarias...de algum jeito eu sabia! 
Tu derreteste meu gelo. Meu icebergue quebrou e afundou-se bem no fundo do oceano. E de repente eu te olhava e sabia firmemente que tu eras quem eu mais queria e tinha de proteger. Peço perdão se não mostrei o tanto que eu me preocupava contigo, se acabei te magoando com as pessoas que tive na minha vida e em algum momento te deixei para segundo plano. Peço perdão se não vi...se não compreendi que era mais que amizade o que tu sentias por mim. Peço perdão por não ter reparado no amor que eu já sentia por ti e me enganava beijando outras pessoas. 

Mas todos os encontrões que a vida nos deu, todas as pedras que as pessoas tentaram colocar entre nós, não foram suficientes para evitar nosso amor. E como poderia ter sido diferente?

Eu lembro como nenhum sorriso me cativava tanto quanto o teu. Como eu amava te fazer rir e ficar envergonhada quando eu te mimava. Como eu adorava ver como tu eras comigo e com mais ninguém. Como tu te transformavas e me transformavas. 
As saudades que eu sentia quando estava longe de ti, como todos os meus segundos tinham de ser dedicados a ti. 
Durante 6 anos, meus dias eram os teus dias...meus minutos foram só teus. Minhas melhores palavras foram dirigidas a ti. 
Durante 6 anos, eu acordava e adormecia a falar contigo. 
Durante 6 anos eu te amei como uma irmã...a irmã que eu não tive. 
Durante 6 anos eu te amei como uma irmã sem ver que já te amava com vontade de te querer como o amor da minha vida!
Quem pode se orgulhar de ter uma história assim meu amor? Uma amizade assim? Uma amizade tão grande que virou amor?


Até Eu Morrer, Até Depois que eu Morrer

 Afinal o Diabo também Ama 


Eu escrevi milhões de vezes para ti. Algumas cartas eu te dei para que ao leres sentisses o que eu sentia ao escrevê-las. Algumas, sei que tu encontraste nos meus rascunhos pessoais. Outras eu destruí antes que alguém as pudesse ler, sem que tu nunca soubesses o que continham minhas frases. Algumas cartas foram perfeitas declarações de amor, algumas...infelizmente foram cartas de dor, de desilusões que eu não conseguia suportar em silêncio. Algumas cartas foram despedidas e tentativas de te esquecer...que absurdo, tentar esquecer alguém escrevendo sobre ela! Mas em todas elas, absolutamente todas, eu te confessava meu amor por ti! Mesmo naquelas em que eu estava tão irritada contigo que te jurava odiar...minha confissão de amor estava lá, não sei se soubeste lê-la, não sei se não quiseste vê-la e nem sei se eu própria tentei escondê-la o suficiente...

Tantas vezes te escrevi...e agora penso que seja o momento para falar de nós! "Falar de ti" como aquela música que tanto me lembra de ti e guardar para nós a nossa história!

Nós, os humanos, tendemos a tecer teorias sobre coisas e pessoas. Tendemos a jurar conhecermos tudo de nós. E eu era assim também e eu me enganei!

Eu era a típica menina da cidade que brincava ao jogo das paixões rápidas e vazias sem nunca colocar o coração no tabuleiro. Nunca ninguém havia magoado meu coração antes de ti, eu nunca tinha gostado de ninguém antes de ti e antes de ti...eu jurava a pés juntos que eu nunca me apaixonaria.

Apesar de tudo, eu sabia que o amor existia e eu odiava-o. E porquê? Porque eu cresci observando os desastres que grandes amores causam, as almas que corroem e as marcas que nenhum tempo pode apagar. 
Eu fui testemunha de um amor eterno entre o Diabo e um Anjo  e eu vi o inferno engolir o paraíso e sempre que eu olhava para a minha mãe eu lembrava que eu era filha dela, filha do Diabo...e o seu sangue corre nas minhas veias. Tudo o que eu sabia era que eu não podia me quebrar como ela se quebrou, eu não podia destruir ninguém como ela destruiu, eu não queria queimar mais nenhum paraíso nem acabar em cinzas como ela acabou! 

Mas quem escolhe o que ocupa os lugares nos nossos sonhos? Quem pode evitar sentir o que não pede autorização para entrar no coração?  
Eu tentei...juro que eu tentei verdadeiramente não te amar desse jeito louco que eu te amo. Mas parece que afinal, o Diabo também ama.



domingo, 28 de setembro de 2014

30 years of love

Enchi o peito de ar e coragem e caminhei em direção à capela. Olhei para as flores na entrada, para a porta de vidro fosca, para as minhas unhas acabadas de pintar, tentando me distrair mas o único lugar onde os meus olhos queriam estar era naquele chão de cor que nem lembro.
Entrei procurando por ela numa fuga ao gato e ao rato, com vontade de a ver e vontade de fugir. E finalmente, lá no fundo estava ela…de branco e preto, sorrindo ao lado do corpo dele.
Fiquei parada a olhá-los sem ela notar a minha presença. Tentei naqueles segundos de silêncio conhece-lo, pois tudo que havia ouvido dele eram as maravilhas que ela contava do “seu namoro” como carinhosamente o apelidava.
Ele ali, serenamente deitado…esperando somente virar cinza… Não me chocou…devia, esperava por isso…mas não. Sabes porque?
Porque Quando me aproximei dela e a abracei, ela não estava devastada, nem desesperada nem sufocada…nem tão pouco estava se fazendo de forte para as visitas. Ela estava realmente serena, dando o seu “até já” ao homem da sua vida…estava esperando pelo momento dela que sabíamos, está para muito breve. E ela não teme, não se assusta…
Eu apenas lamentei sabes…porque um amor assim como o deles merecia mais que 30 anos de paixão… 30 anos não é nada para se viver um amor verdadeiro…eles deveriam viver eternamente!
E na volta para casa pensei que era um amor assim que eu queria…porque é esse amor que eu sempre senti por ti. Esse amor de ir contra tudo e todos e ainda sobreviver…esse amor de não ser capaz de magoar nem de ser magoada. Esse amor de proteção e de dar a vida por ti. Esse amor que eles sentiam…
Um amor de 30, 40, 50 anos…esse amor que é eterno…até eu morrer. Esse amor que não cansa, que não é por habituação…que não perde a paixão. Esse amor que ele sentia por ela e ela por ele.
Esse amor que os faziam perdoar pequenos erros mútuos, que os faziam acharem-se perfeitos. Esse amor onde não precisavam de mais ninguém além deles os dois…
Sabes…esse amor onde apesar das rugas, dos corpos desgastados pelo tempo e doenças, ainda se achavam maravilhosamente lindos.
Esse amor onde nenhum dos dois olhava para outra pessoa além do parceiro…Esse amor onde apesar do tempo e das mudanças , o amor não mudou um segundo.
Esse amor que ele sentia por ela quando ao fim de 30 anos ainda sentia saudades dela só enquanto ela ia ao cabeleireiro….
Esse amor que ela sentia por ele quando jurou morrer depois dele só para não o deixar sozinho.
Esse tipo de amor que eu sinto cada vez que te olho…cada vez que faço projetos contigo, cada vez que te protejo e te abraço no meu regresso do trabalho. Esse amor que sinto hoje e sentirei até morrer…mas que de alguma forma…tu não pareces sentir igual…
E ela ficou ali…e eu vim embora sabendo que ainda existe o verdadeiro amor no mundo. Feliz daqueles que o conseguem e que sabem lidar com tamanho sentimento…

Na certeza de que tu ainda não sabes que esse é o tipo de amor que eu desejo…o único digno de ser chamado “AMOR”

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

The end of the Summer

O fim do Verão chegou..e ela está inteira! Completa e inteira...sem pedaços no chão para serem recolhidos, sem gotas de sangue para serem secas, sem machucados nem feridas, sem lágrimas para serem lamentadas.
Vejo-a de longe e ela nem se apercebe da minha presença...vejo-a nos detalhes das manhãs apressadas e apanho-a desprevenida a olhar da ponte que ela percorre a pé, observando e sorrindo sozinha...ela ama aquela cidade!
Vejo-a dormir...as inquietações de verões passados que ainda atormentam aquele pobre sono desequilibrado. E quando ela lembra as mãos tremem, a testa franze e ela afasta as memórias.
Coitados dos que a amarem agora, coitados dos que se cruzarem com ela agora...pois de alguma forma o verão se tornou a estação mais gélida do ano!
Tantas palavras que ficaram no passado, tantas lutas que ela perdeu e eu ainda vejo de pé...às vezes cambaleia um pouco, às vezes parece frágil por breves instantes mas então ela se abriga nas memórias dos Invernos e se recupera!
O frio colhe-a em seus braços, não por piedade mas porque de alguma forma se preenchem, se entendem. O verões, no passado, ironicamente gelaram a sua alma!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Deitaste ao meu lado e adormeceste...O computador nas minhas pernas não me deixava adormecer também, então, sendo eu tal como sou, fui recordar coisas antigas. Li mensagens minhas para ti, na tua rede social vi pedaços de histórias que já conhecia mas me magoam.
Sei que tantas vezes tentas que eu não lembre, que eu não pense...tentas apenas que eu não seja mais infeliz. Mas meu amor, não tem como apagar as marcas...de certo modo, eu gosto de lembrar como tu ficaste comigo depois de tudo, de como eu era lá bem no inicio...Lembras?
Eu choro, eu soluço por dentro, me afogo em doses de tristeza sobrehumanas que nem entendo como cabem em mim, mas depois passa...como um tsunami que assola uma cidadezinha inteira e depois dos estragos regressa ao mar.
No passado, tu me mataste tantas vezes mas me amaste 200x mais. No passado, eu sofri por séculos incalculáveis, me destruí por falta de amor próprio mas fui tão feliz como não penso que voltarei a ser...então de certo modo como não desejar lembrar?
A verdade é que independentemente do futuro, de com quem ficares, de com quem eu me deitar, de com quem morrermos, eu nunca me arrependerei de te ter amado...mesmo que isso me mate.
E se eu pudesse, todos os dias viajaria até ao passado um pouquinho

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

As palavras não fluiam mais ultimamente. Pensei até por momentos que tinha esquecido de como era pegar papel e caneta e desenfrear-me em devaneios perdidos. As palavras voltaram e então entendi que apenas estava feliz, muito feliz para poder escrever sobre dramas do passado.
Hoje escrevo sobre dramas do presente e como eu lamento retornar aos desabafos dolorosos.
Foste embora com um sorriso estranho, me mentindo sobre certezas que eu quase tinha, escondendo farpas atrás das costas para mais tarde, do lado de lá da porta me as lançares. E acertaste direitinhas nos lugares que dói...sempre foste tão ágil em me atingir, tão eficaz em derrubar-me. De certa forma entendo que é bem assim que tu gostas de me ver, rastejando no chão, pisada pelos teus pés quando tento erguer-me, adormecida em poças de sangue, afogada em lágrimas que clamam teu nome. É mesmo desse jeito que tu gostas de me olhar, é aí que tu sentes que te amo. Cada lágrima minha enaltece tua auto-estima! E então dizes que me amas mas querida, amor é quando não abandonamos a pessoa que amamos sozinha para a destruir de longe. Amamos quando limpamos as lágrimas do outro 500x mesmo que ela não limpe as nossas. Amamos quando não culpamos o outro pelas falhas do nosso coração...
Lamento que apenas necessites de alguém que te faça sentir a melhor, que te beije e toque o tempo todo, que utilize teu corpo como uma boneca de plástico...lamento que seja exatamente isso que tu desejes. Pois tu não procuras amor...procuras sei lá, tudo o que tiveste toda a tua vida! Tenho pena de ti...por não veres beleza nos olhares disfarçados, nas palavras que se guardam no silêncio, nos sonos em que dormimos agarradas, nas cabeças encostadas nos ombros...lamento verdadeiramente!
És livre de ir...apenas não me ataques, porque talvez eu caía mas retornarei mais forte que tu e eu não perco agora. Não me acuses de coisas que não são verdadeiras nem tão pouco justificáveis.
Tu...não sabes cuidar de mim, então aprendi a me cuidar sozinha pois sabia que um dia voltaria a ser assim...não importa se eu morresse agora afinal eu já estou morta para ti!
Lembra-te que eu não esqueço das tuas palavras e quando não te lembrares um dia, elas estarão bem aqui guardadas.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A not Magic World

Você pode viver 1000 anos e ainda não conhecer o mundo. Você pode ter vivido em todas as nações e ainda não se encaixar em nenhuma. E é então que começa esse ódio miudinho dentro de si, quase como um vulcão afogado em água...quase como um grito mudo!
Você cresceu e não pode mais comportar-se como uma adolescente...

Eu ainda me lembro quando tu vinhas de longe cheio de lembranças e comidinhas estranhas que tu amavas experimentar...e de todas as coisas que carregavas, o que eu mais amava era sentar-me no almofadão do chão e te ouvir por horas a fio a contar todos os recantos, esquinas e pessoas que conheceste. Céus, como tu adoravas o mundo!
Às vezes eu gostava de vê-lo como tu vias. De amá-lo como tu amavas. De perdoar como só tu tinhas a capacidade de perdoar. E eu lamento pai...lamento vir aqui desmentir todas as ilusões que viveste mas o mundo não é tão mágico assim!
As pessoas vivem se odiando, se desprezando entre elas mesmas por detrás de sorrisos hipócritas. Já ninguém para para olhar as paisagens que tu tanto amavas e as guerras que tu fotografavas...pai, elas não são nada comparadas com as almas que as pessoas dentro delas mesmas. Pois se tu pudesses vê-las como eu as vejo, sucumbirias em lágrimas!
Mas tu sempre foste assim, capaz de ver o melhor das pessoas e nunca o pior...era assim quando tu a olhavas e não vias como ela era diabólica. Era assim quando tu me olhavas e ainda vias a tua menina e a tua menina estava morta nas tuas mãos pai...eu era só um corpo deambulando!
Não há pai, não existe nenhuma desculpa para a (des)humanidade, nao há..não existe nenhum perdão que eu posso encontrar...pois eu não sou e não tenho o teu coração.
Mas agradeço às estrelas todos os dias, por te terem levado para um lugar cheio de luz e paz...longe do mundo. Exactamente onde tu pertences...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Já olhaste para as estrelas? 
Nenhuma luz perturba a delas, nenhuma tempestade as esconde para sempre..nenhuma ventania as derruba. 
Pergunto-me porque razão custa tanto o ser humano se rever nas estrelas..pergunto-me porque razão as pessoas adoram lamentar-se, chorarem pelos cantos e ainda tentarem dizer que são fortes. 
Forte? Se vocês soubessem o que é ser forte...quando nem mesma eu sei. Quando eu...eu que me degrenhei em penhascos e me segurei em linhas imaginárias para não morrer...eu, que sobrevivi a provações que poucos sobreviveriam e assisti a mortes que muitos não suportariam...eu, que cresci depressa demais, que lutei por tudo o que tenho...eu, que me construí sem nenhum alicerce..eu...que depois de tudo..me considero fraca, como podem os outros auto-nomearem-se de fortes?
Fortes são os que sabem construir barreiras verdadeiramente indestrutiveis. Fortes são os que se amam até ao dia das suas mortes, os que se amam mais que qualquer coisa no mundo. Fortes são os que não se afectam com comentários, facadas ou mágoas. Fortes são os que verdadeiramente...se igualam às estrelas.
Mas o ser humano tende a lamentar-se..tende a gostar do drama das novelas portuguesas. Tende a amar romances de finais infelizes. O ser humano adora dizer que sobreviveu a catástrofes...
É engraçado...pois os que conhecem a minha história adoram dizer "coitadinha, foste tão forte." "deve ter sido horrível"...e queres saber? Não foi horrível, não fui forte, não sou nenhuma coitadinha! Sabes porque? Porque vivo, porque estou inteira, porque de algum modo...aprendi! E é para isso que existimos...sofrer e aprender...

domingo, 15 de junho de 2014

Give up

Entrou no quarto na mesma hora que em dias anteriores, era esse o procedimento e não convinha alterá-lo. Pediu-lhe para ela se levantar, ela concordou. Pegou-lhe no braço com carinho e colocou-a em frente ao espelho recém chegado .

- Olha-te...o que vês?

Ela ficou em silêncio por um momento. De repente, parecia que tinha ficado completamente sozinha ali...só ela e o espelho. Só ela e os monstros dela. E então, conseguiu responder.

- Pele sem brilho, cabelo que um dia já foi bonito mas não o é mais. Olhos de alguém que parece ter o triplo da idade que tem. Corpo que se vai recuperando mas mente doente. Dentro dela...não vejo nada.

Ele largou-lhe o braço, virou o rosto para a parede e susteve o ar por um segundo. Não era a resposta que ele queria, mas era, com certeza, a que ele contava.
- Sabes o que eu vejo? Uma miúda lindíssima com um enorme potencial para crescer na vida e ser imensamente feliz. Vejo alguém extremamente inteligente, com carácter, com noção do mundo mas sem suporte para se segurar.

Dirigiu-se à porta para sair rapidamente, quando foi interrompido por ela.

- Não.

Ele parou. Não sabia o que esperar dela agora.

- Você apenas diz o que gostaria de ver em mim, o que gostaria que fosse real. E é por isso que os seus olhos se enchem de tristeza, pois não suporta ver a verdade. Que eu não tenho conserto. Não suporta ver meu corpo lutando constantemente para sobreviver enquanto minha mente o mata. Não suporta perceber que eu não ligo a mínima para o vosso tratamento nem tão pouco para as vossas palavras. Você não suporta ver que eu tenho razão, que não há nada em mim para salvar, que mesmo que eu sobreviva, eu ainda continuarei morta. É isso que você vê...o tempo todo que olha para mim...mas a sua medicina obriga-o a mentir...Você foi ensinado a mentir...e adivinhe doutor...eu sou o tipo de miúda, que odeia mentiras!

Aquelas palavras quebraram-lhe o coração. Eram verdadeiras, frias e precisas tal como ela. Queria salvá-la mas não sabia como. Ela amarrava-lhe as mãos quase como num pedido de socorro para não a salvar. E pela primeira vez, ele tinha uma paciente que no mais fundo de si, desejava mesmo morrer.



domingo, 8 de junho de 2014

Nós vamos e voltamos,
Encontramos os porquês de não ter funcionado antes...
Olhamos novamente e vemos as razões porque insistimos em ficar...
E tu sabes, sabes porque eu não necessito de repensar sobre o que sinto, pois eu te amo.
Se soubesses o quanto...mas não sabes, nem nunca poderás saber pois nem mesma eu conheço tal dimensão...Talvez deus, esse estranho ser desconhecido em quem eu descreio e que sinto uma certa repulsa em descrevê-lo com letra maiúscula...mas se ele existe e eu estiver errada, talvez ele possa saber o quanto eu te amo. Talvez as estrelas para quem implorei tantas vezes que te trouxessem para os meus braços.
Mas quando revivemos tudo cansa meu amor...não sou a melhor pessoa para recomeçar os mesmos jogos na casa da partida nem tão pouco me autorizarei a voltar a sofrer por algo que eu já sofri mais do que meu coração poderia suportar...
Porque tu não tens como saber a tal dimensão de meu amor, nem a dimensão da dor que esse amor me causou e querida...eu estou cansada que o sol pare de me aquecer de um momento para o outro. Que o sorriso vire uma face dura por longos dias, que conversas de melhorias se tornem frequentes.
Por favor, pare de colocar a mente para trabalhar em teorias conspiratórias contra nós próprias e me ame como se tivéssemos vida eterna.

domingo, 18 de maio de 2014

"I'm sorry honey, but you've fallen into the abyss of no return"

Todas as pessoas deveriam poder ser felizes todos os dias, do amanhecer ao anoitecer. Todas as pessoas, deveriam ser capazes de sorrirem todos os segundos do relógio, pois eu sei que um dia isto acaba...um dia, simplesmente fechamos nossos olhos e não mais veremos o mundo...nunca mais amanhecerá para nós. Nunca mais veremos as estrelas em noites de verão. Nunca mais poderemos sentir as brisas do vento...Um dia, simplesmente Acabou! E adormecemos para todo o sempre!
Então, sim...eu aprendi a dar muito valor à vida! Muito valor ao tempo que eu gasto desnecessariamente, como se bem no fundo de mim, algo me gritasse que eu não tenho muito mais anos para gastar... Não sei, ninguém pode saber! Mas sabes aquelas pessoas que sentem que não pertencem aqui? Eu sou assim...sempre fui!
Talvez eu não tenha mesmo tantos anos assim...e por isso faço intenções de realizar quase tudo o que era suposto eu realizar...
Mas tenho estes dias em que a minha cabeça simplesmente não aguenta e tu não respeitas isso.
Depois de tudo o que eu vivi...se tu pudesses ver como um trailer de um filme inacabado, se tu pudesses imaginar todos os lugares onde eu estive, todas as pessoas que eu conheci, tudo o que eu ultrapassei...questionares-te-ias como sobrevivi!
21 anos, são 210 anos na minha mente, me sinto muito cansada às vezes. Então não questiones meus dias difíceis, porque acredita..difícil mesmo, é sobreviver dentro de mim. Difícil é respirar dentro de um corpo que às vezes vive em confronto comigo própria e me tenta sufocar ao mesmo tempo que luta para encontrar oxigénio. Difícil é olhar para trás e não encontrar vestígios, da pessoa que eu fui no passado, no agora. Difícil, difícil é ter de conviver comigo própria todos os segundos e ainda sorrir para o mundo, cuidar do mundo sem saber cuidar de mim.
Preciso de parar às vezes... de ouvir 100x a mesma música quando tu não entendes o porquê de eu o fazer. Ouvir a mesma música tantas vezes é como poder parar um pouquinho no tempo. Ficar em silêncio comigo própria, a olhar para nada, para ninguém.
Não estranhes quando eu me quiser isolar do mundo...eu sou um pouquinho como aqueles bichinhos que necessitam hibernar. Preciso me desligar um momento para poder regressar depois! Pois tu não sabes como por vezes, as vozes me ensurdecem...como o toque das chamadas me incomoda, como o simples barulho dos carros ao longe me perturba.
Não te zangues quando eu dormir muitas horas...às vezes eu preciso, para poder acordar depois e não desejar morrer durante uns tempos. Preciso me desligar da vida para poder dar-lhe valor novamente.
Lamento...lamento ser assim. Por ti, por todas as pessoas que abandonei, por mim também. Mas se eu não fosse assim, já teria morrido por não aguentar. Lamento que não entendas...que não saibas lidar comigo. Lamento ser o pior para poder ser o melhor depois...Quebraram as minhas asas à muito tempo atrás e eu apenas tento sobreviver rastejando!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Esta noite está tão silenciosa, parecendo como se os anjos estivessem a guardar a Terra em seus braços para poderem regressar a casa.
A vela acesa ao meu lado, assemelha-se à única coisa realmente viva, realmente quente neste quarto...e eu preciso de algum calor, de conforto no meu peito. 
Estrelas, eu precisei de tanta força para não cair que acho que caí na minha própria força! Tem momentos que eu não consigo nem respirar de tanto gelo que construí...tem momentos que eu sinto como se necessitasse de uma bóia de salvação que me faça sentir algo mas quando eu sinto, meus pedacinhos de cristal mal colados, estilhaçam-se novamente no chão e eu fico sem nada! E não há nenhuma prece que me salve...depois de tantos empurrões, afogamentos e destruições, meu coração quebrou-se para todo o sempre! 
Há um mar de dor que me empurrou para uma ilha deserta onde tive de sobreviver sozinha e não acho que seja capaz de voltar a ser quem eu era... 
Às vezes olho pela janela e apetece-me saltar...tentar acreditar, absurdamente, que consigo voar e ir para algum lado sem nenhum lugar, na verdade, para onde ir! E então fico...fico pois não seria melhor em lugar algum do que é aqui... A verdade é que pela primeira vez, eu tenho tudo...mas esse tudo chegou tão tarde...tarde demais estrelas! A Rainha Branca de Neve que vocês conheceram não é mais Rainha de nada, não sente mais carinho pelo frio nem pelas noites...não caminha mais por entre ruas intermináveis em busca do caos. A borboleta que vocês amaram, não tem nem asas brancas nem asas negras...simplesmente transformou-se numa lagarta sem forma nem vida. E nenhuma estrela continua esperando por mim...elas desistiram de mim...VOCÊS desistiram de mim no momento que eu desisti de mim própria! 
Estou a habitar onde os anjos mortos habitam, estou falando onde as paredes só ecoam e estou brilhando numa plena escuridão sem espectadores para me verem vencer! 
E subitamente a chama da vela vai adormecendo...parece que o Diabo joga direitinho do jeito dele...brincando com o paraíso, me fazendo odiar o quase perfeito!